quinta-feira, 12 de julho de 2012

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Brasília, 12 de julho de 2011.



Carta de apoio ao Grito dos Excluídos

Irmãos e Irmãs!

                A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz - CNBB manifesta seu apoio ao Grito dos Excluídos Nacional, que se realiza em todos os Estados do nosso País, por ocasião das comemorações do dia da independência do Brasil.
                 O Grito dos Excluídos é um espaço democrático de mobilização popular nacional na Semana da Pátria, buscando construir um projeto popular para o Brasil. Neste ano tem como tema: Pela vida grita a terra... Por Direitos, todos nós!
Com os excluídos este evento pretende mobilizar pessoas, comunidades, Igrejas, religiões e sociedade para assumir o protagonismo na construção de alternativas que tragam a eles esperança e perspectivas de vida para as comunidades locais; promover a pluralidade e igualdade de direitos, bem como o respeito nas relações de gênero, raça e etnia; denunciar todas as formas de injustiça que, em nosso país, causam a destruição e a precarização da vida do povo e do Planeta.

                Diante de situações de exclusão, Jesus defende os direitos dos fracos e o direito a uma vida digna para todo o ser humano. O compromisso com esta causa nos compromete no esforço de superação da exclusão em nosso país, participando da construção de uma sociedade justa, solidária e de cuidado da vida do planeta e do ser humana.


Dom Guilherme Werlang
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para
O Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

Grito dos Desterrados


Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
 “O grito está no início da vida do ser humano sobre a terra: grito de caça, de guerra, de amor, de terror, de alegria, de dor, de morte. Mas também os animais gritam. E para a comunidade antiga, grita também o vento e a terra, a nuvem e o mar, a árvore, a pedra, o rio. Ao grito estão ligados os aspectos decisivos da existência. O ritmo, a música e o grito precedem a palavra como veículo de comunicação” (E. Severino, citado por Umberto Galimberti in L’ospite Inquietante).
A essa citação, poderíamos acrescentar o grito da terra Agredida por um modelo econômico predador, o planeta exibe feridas e hematomas cada vez mais preocupantes. A poluição do ar e das águas, a derrubada das florestas e a desertificação do solo, a emissão de gases de efeito estufa e o aquecimento global, a destruição dos ecossistemas pela agressão humana – são algumas dessas chagas. O progresso e a tecnologia, marchando ao ritmo da ambição do lucro e da acumulação de capital, devastam a face da terra. Suas chagas crescem na proporção direta da concentração da renda e da riqueza, por um lado, e da exclusão social, por outro.
A ânsia irracional de produzir-vender-consumir cria um círculo vicioso que lança milhões e milhões de pessoas às estradas. São os desterrados do globo: sem raiz nem pátria, sem rumo nem endereço. Se o planeta terra grita pela vida em todas as suas formas – a biodiversidade – os desterrados gritam pelos direitos básicos. Gritam por um chão firme, onde possam mergulhar as raízes e construir sua cidadania. Esta, longe de ser uma palavra vazia e retórica, requer condições reais de vida: terra e trabalho, saúde e escola, segurança e moradia, lazer e transporte digno.
Daí o lema do Grito dos Excluídos de 2011: Pela vida grita a Terra... Por direitos, todos nós! Tanto o planeta terra quanto aqueles que sobre ele se sentem estrangeiros levantam-se do chão para denunciar e anunciar. E a luta pela vida adquire as mais diferentes formas de linguagem. Mais do que com as palavras, gritamos com o ritmo e com a música, com a dança e com o gesto, com as aves e com o vento, com o mar e com as tormentas, com o canto e com o grito.
Não se trata de um grito solitário. A ele se unem outras ações que exigem mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais. A ele se juntam outras forças vivas e ativas, tais como movimentos, organizações de base, associações, campanhas, romarias, marchas, celebrações, atos públicos, plebiscitos... Os gritos, por mais diferentes entre si, se mesclam e se entrelaçam. Surgem no horizonte a consciência, a organização e a mobilização. E assim, nas asas do vento, os sem vez e sem voz, adquirem formas novas de reivindicação, de luta e de vitória.
O gesto, o ritmo, a música, o canto, a dança, o teatro, o símbolo... São formas de gritar. Linguagem plural, polissêmica e polifônica: tem vários significados, é patrimônio de todas as culturas e todos os povos a entendem. A terra e seus inúmeros desterrados, passo a passo, palmo a palmo, gota a gora, volta à vida e à biodiversidade. À vida em primeiro lugar!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Grito dos Excluídos

A história do Grito dos/as Excluídos/as


A proposta do Grito surgiu no Brasil no ano de 1994 e o 1º Grito dos Excluídos foi realizado em setembro de 1995, com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade do mesmo ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”. Em 1999 o Grito rompeu fronteiras e estendeu-se para as Américas.


O que é

O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.

O Grito dos Excluídos, como indica a própria expressão, constitui-se numa mobilização com três sentidos:

  • Denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social;
  • Tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome;
  • Propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.

Marcas do Grito
O Grito trouxe inovações à mobilização social. A Criatividade, a Metodologia e o Protagonismo dos Excluídos são marcas do Grito.

Metodologia
O Grito privilegia a participação ampla, aberta e plural. Os mais diferentes atores e sujeitos sociais se unem numa causa comum, sem deixar de lado sua especificidade.

Criatividade/ Ousadia
O Grito tem a cada ano, um lema nacional, que pode ser trabalhado regionalmente, a partir da conjuntura e da cultura local. As manifestações são múltiplas e variadas, de acordo com a criatividade dos envolvidos: caminhadas, desfiles, celebrações especiais, romarias, atos públicos, procissão, pré-Gritos, cursos, seminários, palestras...

Protagonismo dos Excluídos
É fundamental que os próprios excluídos assumam a direção do Grito em todas as fases – preparação, realização e continuidade, o que ainda é  um horizonte a ser alcançado.

Parcerias
O Grito foi concebido para ser um processo de construção coletiva, neste mutirão estão juntos Pastorais Sociais, Semana Social Brasileira,Movimentos Populares, sociais e sindical, Campanha Jubileu, Grito Continental, Igrejas, Mutirão contra a Miséria e a Fome.

Por que o 7 de setembro

Desde 1995, o Grito dos Excluídos realiza-se no dia 7 de setembro. É o dia da comemoração da independência do Brasil. Nada melhor do que esta data para refletir sobre a soberania nacional, que é o eixo central das mobilizações do Grito.
Nesta perspectiva, o Grito se propõe a superar um patriotismo passivo em vista de uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna.
O Dia da Pátria, além de um dia de festa e celebração, vai se tornando também em um dia de consciência política de luta por uma nova ordem nacional e mundial. É um dia de sair às ruas, comemorar, refletir, reivindicar e lutar.
O Grito é um processo, que compreende um tempo de preparação e pré-mobilização, seguido de compromissos concretos que dão continuidade às atividades.